Loading...

30.04.26 às 7:00
A crise atual do petróleo nos faz relembrar o óbvio: depender de uma única fonte é arriscado demais
Mundo aprende em tempo real que elementos tão fundamentais do ponto de vista social e econômico – como os que garantem mobilidade - não podem jamais depender de uma só fonte energética
A crise atual do petróleo

compartilhe

No meio de uma crise global de energia, nos deparamos com algo que parecia normal até poucos meses e agora fica evidente como um enorme erro estratégico, em relação a tudo que movemos e transportamos: a existência de veículos cujos motores são alimentados por um só tipo de combustível.

Navios, aviões, caminhões, barcos, carros, motos, bicicletas que só podem utilizar gasolina ou diesel como combustível são, não somente uma eterna fonte de gases que aumentam a temperatura do planeta e causam mudanças climáticas, mas também uma estupidez estratégica. Nada como uma crise para evidenciar isso.

Na verdade, o que estamos aprendendo em tempo real é a ideia de que elementos tão fundamentais do ponto de vista social e econômico – como os que garantem mobilidade – não podem jamais depender de uma só fonte energética.

Veículos com a tecnologia FLEX, ou movidos a biodiesel que pode ser produzido a partir de vários insumos, ou híbridos, são evidências de que já sabíamos disso. Estas são soluções muito mais adaptáveis às mudanças e variações que o mercado de fontes de energia pode sofrer nos próximos anos. Carros elétricos também podem ser considerados como “adaptáveis” se as fontes utilizadas para gerar eletricidade também forem variáveis e sustentáveis, como no Brasil, onde 85% da eletricidade é gerada por energia hidroelétrica, solar, eólica, etc. Sem falar na facilidade técnica de expandir a produção deste tipo de energia com fontes localizadas e de pequeno porte.

A situação atual escancara algo que, frequentemente, é propositalmente silenciado, que é a enorme coalisão global que se formou envolvendo empresas, governos, estrategistas, disseminadores do conhecimento, instituições financeiras, cidadãos, etc., em torno de uma única fonte de energia que tornou dependente economias inteiras. Isso tem claramente altíssimo preço para o planeta e para todos nós.

Lembro aqui que uma das lições mais contundentes da forma de pensar sustentável, em busca de modelos para melhorar a qualidade de vida de muitos por muito tempo, é a absoluta importância da diversidade de soluções para qualquer problema, quanto mais fundo vamos em nossas investigações em qualquer área da ciência e da história.

Em ciência, aprendemos com a biodiversidade infinita que garante que a vida ressurja por milhões de anos sobre o planeta, aprendemos também que analisando sistemas – nos níveis subatômicos até sistemas do tamanho do planeta – vemos que há enorme interdependência de fatores para que eles sigam funcionando. Em história, povos que sobreviveram por muitos períodos tinham variedades de fontes de alimentação – que também é energia! – e aprendiam e trocavam tecnologia com outros continuamente.

Desenvolver frotas gigantescas alimentadas por combustíveis que vêm de um único tipo de fonte é como acreditar, por exemplo, que seres humanos saudáveis e com saúde resiliente podem viver de um só tipo de alimento. Imagine. Parece óbvio a vulnerabilidade deles, certo? Trazer a obviedade à tona parece ser um atributo das crises. Na história, na economia e na vida.

compartilhe